Cultura Acadêmica

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10 de março de 2010
RELEASE

Historiadora analisa o processo de construçãode identidade nacional na Argentina
Camila Bueno Grejo

O período compreendido entre o final do século XIX e o início do XX foi de
grande importância social e histórica para os países latino-americanos no
que diz respeito à afirmação de suas nacionalidades. Na Argentina, com o
desenvolvimento econômico e o grande contingente imigratório ocorrido na
época, a questão nacional transformou-se no tema central das discussões
políticas e intelectuais do período e a etnicidade foi utilizada de
maneira frequente pelas elites para formular questões pendentes ao
processo de formação da pátria.

Em Carlos Octavio Bunge e José Ingenieros: entre o científico e o
político, lançamento do selo Cultura Acadêmica, a historiadora Camila
Bueno Grejo analisa o período de 1880 a 1920, verificando quais foram os
mecanismos utilizados pela elite argentina a fim de que se forjasse uma
identidade nacional. Para isso, baseou-se na produção intelectual de
Carlos Octavio Bunge e José Ingenieros e no papel político que esses
escritores desempenharam, uma vez que ambos tiveram atuações junto ao
governo e à sociedade de seu tempo.

Visando discutir os problemas que permeavam a sociedade argentina, Bunge e
Ingenieros utilizaram elementos sociológicos, antropológicos, étnicos,
biológicos e também históricos. Apesar de suas obras não se constituírem
em obras historiográficas, as fontes possuem historicidade, uma vez que
ela pode ser representada a partir da tomada de consciência por parte da
elite política e intelectual, fazendo com que esse ramo passasse a
refletir nos problemas da sociedade argentina e nas ações que deveriam ser
realizadas com vista à construção da identidade nacional.

A autora busca compreender o significado de nação expresso pelos
intelectuais argentinos do início do século XX e analisa como, na visão
deles, seria possível construir uma nacionalidade num país tão
heterogêneo, tomado pela imigração europeia, tendo em vista que a partir
desse período definiram-se os traços da representação da nação argentina
que terminariam por se impor.

Sobre a autora - Graduada (2005) e mestre (2009) em História pela Unesp.
Tem experiência na área de História, com ênfase em História Latino-
americana, atuando principalmente nos seguintes temas: Argentina, História
política e intelectual. Integra o projeto temático "Cultura e política nas
Américas: circulação de idéias e configuração de identidades (Séculos XIX
e XX)", financiado pela Fapesp. Atualmente é professora da Universidade
Estadual do Norte do Paraná (Uenp).

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